quarta-feira, abril 04, 2007

E assim nasceu outro blog


Nasceu a uns dias um projecto há muito ambicionado. Um blog que dá alma ao tema da fotografia de viagem em particular, mas não só. Tem como nome Ventos do Mundo e está em fase de emancipação para o mundo. Tem como seu intimo desejo partilhar com outros viajantes (porque na vida somos todos viajantes) as cores que povoam o nosso mundo através do meu olhar e o de uma companheira de vida, Scarlett Farm.


quinta-feira, março 15, 2007

All my life in a bag




Um dos grandes problemas que os viajantes lidam no inicio e durante a sua viagem é o material que levar. Se por um lado temos sempre a ideia que dá sempre jeito levar um extra pacote de pilhas, lanternas e enlatados, também é tão verdade que tudo o que pomos na mochila, vamos carregar. Assim o dilema prende-se sempre com o levar pouco e viajar leve e rapidamente, mas depois faltar alguma coisa, ou por outro precaver-mo-nos de tudo o que possa acontecer e levar tudo o que possa faltar, carregando sempre com isso as costas.

Também é importante termos em conta o tipo de viagem que vamos fazer, assim, se formos fazer um interrail longo durante um mês, é preferivel viajar de forma leve e com pouca coisa, pois muitas vezes torna-se um calvário andar com 20 kg as costas nas ruas de uma cidade á procura de uma pousada ou do hostel. Se formos viajar de avião, ficando apenas em uma ou duas cidades, alguns luxos não tem problema.


Por experiência pessoal, durante um mês viajei na europa com um pequeno conjunto de tachos e um campingaz porque durante a preparação da viagem pensei que seria uma excelente forma de poupar dinheiro, no entanto a verdade é que só tive opurtunidade de utilizar uma vez, mas andei a carrega-lo o mês todo, 2 ou 3 kg a mais, tremendamente dispensaveis.

domingo, dezembro 31, 2006

Hasta la victoria



Hoje finda-se um ano. Não que as datas muito signifiquem para mim, porque o amanha será sempre diferente do hoje, pelos menos eu luto por isso. No entanto desejo que o meu amanha seja pelo menos tão vivido e sentido como foi o ano que passou. Assim o ultimo post que escrevo neste ano, retrata um filme que me tocou, que me inspirou e que sempre esteve presente enquanto escrevia neste blog.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Everest, o tecto do mundo


Não gosto de escrever sobre locais que nunca visitei, pois a essência do que escrevo baseia-se na minha percepção dos locais. No entanto neste post faço um excepção.
O monte Everest tenho 8850 metro de altura e é o ponto mais alto do mundo, o chamado "tecto do mundo". O seu cume foi conquistado a 28 de Maio de 1953 pelo Neo-Zelandês Edmund Hillary e o sherpa Tenzing Norgay. Antes da conquista já tinham sido realizadas várias expedições, que fracassaram.
Desde algum tempo, que o everest me assombra os sonhos e desejos. E o desejo de o escalar "inflama-se" recorrentemente como um sonho infantil numa idade já adulta. O que me fascina talves não seja escalar 8000 mil metros, mas o desafio pessoal inerente a tudo isto. Não se trata de vencer a natureza mãe, mas sim vencer-me a mim próprio, vencer os meus limites.
Um dia conheci um australiano no algarve, que andava a viajar pelo mundo, e no meio da conversa, confessei-lhe que um dos meus sonhos era escalar o Everest. Numa atitude meramente realista, disse-lhe que era algo dificil, dispendioso e que levaria muito tempo a reunir as condições. Ao qual ele respondeu com a sua calma propria da sua idade, "se é o teu desejo, fâ-lo! não imponhas tantas barreiras a ti próprio". A primeira reacção foi pensar que nem tudo é assim tão fácil, mas a verdade é que desde então tenho reflectido bastante sobre estas palavras. Acontece vulgarmente perante um desafio no dia-a-dia em que por vezes me impelo a algum conformismo, estas palavras me vêm a cabeça. Acho que embora as dificuldades sejam imensas (monetárias, logisticas,etc..) elas seram sempre uma gota de água num oceano se o desejo ardente de escalar se mantiver, e está bem presente...

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Libertad


Em jeito de pausa sabática, decidi reter as minhas palavras e perspectivas por alguns dias. A verdade é que há muito que as viagens (apenas no sentido fisico) não estão na minha vida, não por falta de desejo ou por perguiça, não! longe disso..mas porque o orçamento não é muito, e há que juntá-lo pouco a pouco, mas com expectativa.A verdade é que um orçamento numa viagem é algo imporante mas nunca deciditório. A noção que é necessário um bom orçamento para viajar, ora esta preposição nem sempre é verdade. Asiim para conhecer a europa de ponta a ponta, a melhor forma será fazer um interrail. Definitivamente.Por um orçamento baixo (800/1000 euros mais 365 euros de bilhete), podemos conhecer o que há de melhor na europa. E sinceramente acho que todos deviamos fazer um na vida, não só pelo facto de conhecermos outros paises distintos, mas pela diferente forma de abordar a vida que por momentos conseguimos ver. Por minha experiência, não foi só uma viagem, mas um abrir de um livro que nunca quero fechar. A forma como me senti livre e vivo, é algo que nunca esquecerei, e procurarei continuamente que este sentimento perdure no tempo. Contudo é um desejo que envolve algum dinheiro, mas nada que uns part-times em tempos de férias, e uns extras de uns trabalhos temporários não resolvam.O que retenho de viajar, sinceramente não é só a descoberta de novos paises, mas a descoberta do nosso ser, no sentido em que por momentos estamos desprovidos de uma segurança de costumes e hábitos que no dia a dia transportamos. Foi o mês da minha em que me senti mais livre...e com este objectivo, muitos sacrificios fazem sentido...

domingo, setembro 17, 2006

E o paraiso aqui ao lado...





A minha ultima semana, foi vivida num local que em descrição literaria daria espaço a muitas páginas, mas no meu intimo apenas gasto uma palavra com ele, paraíso.
Desde o momento em que adormeço ao som do mar ou toco guitarra para uma plateia de estrelas cadentes, encontro existencialmente uma ligação profunda com aquele local. Ainda sem esforço, quando fecho os olhos consigo sentir o cheiro dos pinheiros, ouvir o mar ao longe, sentir a areia deserta nos meus pés, o vento no meu cabelo, o silêncio a invadir todos os poros do meu ser e a banhar-me com a sua tranquilidade.
Mais do que retemperar energias para mais um inicio de ano lectivo, refiz as pazes com a mãe natureza pelos meses em que a minha futura profissão me obriga a adormecer sob as luzes da cidade, sem o som do mar, a plenitude de um céu estrelado ou um abraço ao por-do-sol.

domingo, setembro 10, 2006

O porto...


Não sei se foi uma escapadinha, ou se foi já uma viagem. Não perco tempo a classificar, apenas relembrarei a minha ida ao Porto. Hum...o Porto. Á distância de 3 horas de comboio e alguns euros por noite na pousada de juventude, pude sentir-me diferente dentro do meu próprio país. Pela sua configuração arquitectonica, pela sua misticidade própria e pela peculariedade das gentes do norte, visitar o porto é como uma daquelas noites de verão em que nos aventuramos sem perspectivas e acabamos por viver tudo muito intensa e rapidamente. É uma cidade de pequenos costumes e na minha perpectiva é unica pela atitude profundamente portuguesa, de "ir comer umas tripas ao pé da sé, ir beber um copo ali ás tasquinhas junto de campanhã, de ficar mirar no meio da rua as mulheres a insultar-se, etc..". Recomendo vivamente uma noite na pousada, não é nada cara, e tem uma vista linda para a foz. Na noite que la passei brindou-me com uma nevoa mistica e doce, que nos envolve em melancolia logo ao acordar. É uma perola da nossa cultura portuguesa.

sexta-feira, agosto 11, 2006

quarta-feira, agosto 02, 2006

Sinto falta...


Sinto a falta das horas perdidas nos comboios. Sinto a falta de conhecer sempre alguem novo e marcante na proxima grande paragem. Sinto falta do nervosismo que corroi o estomago sempre que estou quase a chegar a uma nova cidade. Sinto falta dos assentos desconfortaveis dos comboios. Sinto falta de passar por uma bela rapariga e pensar que poderia ser a mulher da minha vida. Sinto falta de me sentir perdido num lugar novo. Sinto falta de adormecer no porão com o mar mediterraneo a faze-me companhia. Sinto falta de regatear nos mercados italianos. Sinto falta de me sentir vivo da única maneira possivel, viajar...

sábado, julho 15, 2006

E porque não?


Está uma noite quente de verão...daquelas que apetece dormir no telhado a ver as estrelas. O silêncio que reina é inspirador..Fecho os olhos por momentos, e imagino-me a fazer o que mais gosto a viajar. A tão desejada subida ao kilimanjaro, passear no deserto e sentir o silêncio e a solidão esmagadores, fazer a "coast to coast" na américa de mota, conhecer o calor de Buenos Aires. A verdade é que para além das nossas vivências pouco temos mais. Nestes momentos vem-me sempre á mente, o ideal de umas botas usadas, uma camisa branca suja, um casaco de cabedal velho, uma mala de couro, uma muda de roupa e um bom livro (aquele que intercede sempre nestes momentos é "Montanha Mágica" de Thomas Mann). De facto, talves me tenha esquecido do bloco de notas e da caneta, mas isso é o menos importante...

sábado, junho 24, 2006

Próximo destino...


Por vezes perguntam-me qual é o meu próximo destino ou qual a minha próxima viagem. Na verdade nem eu sei responder. Existem obviamente algumas viagens em mente, que sei que se depender de mim as vou fazer, porém abro as portas ao acaso que guia a vida. Se por um lado subir o Kilimanjaro é a aventura de eleição, voltar ás ilhas gregas é algo que me aquece o coração, sem nunca esquecer a loucura que é fazer um interrail com alguem especial.
Como alguem muito especial me disse um dia, "a viagem de sonho? depende da companhia..."

segunda-feira, maio 01, 2006

"Doctor? Infection? medical?"

Existem sempre durante as viagens, pequenas peripécias que raramente esquecemos, e são indubitavelmente estas historias que apimentam as nossas viagens e as tornam dignas de serem contadas aos netos. E assim foi. Durante a estadia em atenas no meu interrail, já vinha de roma com uma infecção na perna, que como bom homem que sou pensava que passava com cremezinhos. Cheguei a atenas já com a minha mobilidade um pouco afectada. E para quem não sabe o que faz uma infecção, normalmente provoca um abcesso que se encontra cheio de pus, faz aumentar a temperatura e posso dizer que doi que se farta! Bem, pensei porem que com uma pomada antibiotico e drenar um pouco o pus, a infecção passa-se. Lá nos aventuramos nós em busca da acropole, como bons "tugas" que somos enganamo-nos no caminho e demoramos um tempão a chegar á acropole, mas como todos os bons acasos da vida, acabamos por passear numa encosta cheia de casas tipicas gregas, um achado em plena metropole de atenas. Mas a infecção estava cada vez pior, e o calor torrido proprio do mediterraneo não ajudava. Lá decidimos ir a hospital. Depois de algumas indicações erradas, outras malpercebidas e muito instinto tuga, lá encontramos um hospital ( parecia mais um centro de saúde) no meio de atenas. Na verdade não destoava muito do conceito de centro de saúde á antiga portuguesa. Com o guixézinho lá ao fundo, com umas senhoras na galhofa, em grego claro. Lá me dirigi ao guixe para me indicarem um medico, para me fazerem esperar, ou simplesmente para me rogarem um mézinha para que as dorem passassem. Para meu grande espanto de turista ignorante, ninguem naquele guixé fala ingles, lá tentei insinuar o bom "doctor", "medical", "infection", mas na verdade parecia q estava na china. Já estava a desesperar, até que meti a mão ao bolso, e saquei um papelito que o alvaro tinha imprimido na net, com frases chave em várias linguas. E como acaso divino lá estava o "Onde encontro um médico?" em grego, lá experimentei o " Pu boró na virò ena jhatr'' o?", e de repende parece que os anjos desceram aos céus, e aquela senhora fez um grande sorriso e indicou-me uma porta perdida no meio do atrio. De facto, parece que tinha dito a palavra mágica, pois quando empurrei a porta timidamente, deparei-me com outro mundo, enfermeiras, medicos, tudo como o belo "serviço de urgências mostra", de facto um mundo dentro doutro mundo. lá mandei um "tasse" a um dos medicos que la estava, com de quem nada fazia, e falei com ele em inglês de "doca" e lá me mandou para o cirurgião ( sim, eu também me assustei) que lá me tratou daquilo...

sábado, abril 01, 2006

A life without shoes



Uma destas noites olhei as estrelas num olhar que identifico agora como o de um amigo cumplice. E como todas as vezes que as olho, senti-me vulneravel e principalmente senti-me temporal. Pensei nos que estiveram antes de mim, nos que estarão depois de mim, e nos comigo vivem contemporaneamente e eu nunca os senti perto de mim. Pergunto-me então, o que me torna diferente?
Compreendo então que realmente nada tenho que se exclusivamente meu de material, tudo para que trabalho e invisto o meu tempo, tudo o que abdico para "possuir" um dia se desvaneçe e subitamente deixa de ter sentido para mim. Como viajante acho q o que realmente transporto que seja verdadeiramente meu é o amor que senti, as texturas que toquei, os beijos que partilhei, os sabores que provei, os amigos com que ri, os sorrisos que vi...

sábado, março 25, 2006

Um "Giro" de Vespa...


É um dos meus desejos mais profundos...hum..talves já se possa considerar um sonho..viajar sem destino pela europa montado aos comandos de uma vespa...
Confesso que não é um sonho de adolescência, muito menos de criança...este sonho nasceu quando nas ilhas gregas, ao desembarcar dos ferry me transportou à ilha, reparo num grupo de viajantes montados nas suas vespa. Um grupo enorme e muito alegre. Aquele "instantaneo" ficou desde então a vaguear no meu subconsciente , como a imagem "quase perfeita" de um espirito livre que vezes sem conta acredito ser. Imagino-me vezes sem conta a conduzir a minha vespa pela costa da normandia, com o meu casaco castanho á aviador e uma fé inocente no desconhecido e no infinito...
Muitas vezes quando estas imagens de um possivel futuro próximo me vêm á cabeça, o meu lado comodista tipicamente ocidental tenta recalca-las, criando barreiras como o dinheiro para a mota, para a carta, o perigo de viajar sozinho, o facto de não saber nada de mecânica. De facto estas barreiras existem, mas elas só nos influenciam se lhe dermos o valor que elas merecem ou não...
Quero muito viajar idilicamente ao sabor do vento montado na minha vespa nem que seja nos meus sonhos...