terça-feira, setembro 14, 2010

Por vezes não entendo o porquê.
Porque continuo a querer ir ate ao fim de uma estrada, até à proxima curva, ir até além do que se vê do meu circulo. Porque não me sinto preenchido por um sofá quente, um abraço familiar e uns lençois lavados.
Não percebo porque na minha mente, romper com esses confortos é imperioso para mim, não ententendo porque tenho desejo de sentir o frio, a escuridão, o medo, a solidão, a incerteza.
Porque encontro realização quando nada tenho e não tenho a perder...

sábado, agosto 14, 2010

Um dia será a minha vez



Um dia.

Um dia, mais cedo do que eu imagino, será a minha vez.

Será a minha vez de me perder no mundo, de colmatar este estranho vazio que sempre senti dentro de mim. Este estranho vazio que me faz sentir sempre de partida, mesmo quando me sinto feliz, mesmo quando beijo com paixão, mesmo quando abraço com ternura.

Eu poderia viver em... : Pedrogão Pequeno.


Facilmente me imagino a viver a minha meia idade num local como este. Casa brancas, tranquilidade, estradas em calçada e tardes que levam tempo a passar.
Acordar e poder abrir as portadas do quarto e sentir os primeiros raios matinais, sair de bicicleta para comprar o pão, fazer o almoço para a familia. E ao fim do dia juntar os amigos para uns grelhados ao som de uma musica vinil.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Jim Richardson on Night Photography -- National Geographic

Jim Richardson on Night Photography -- National Geographic

Entre o destino e o caminho

Novos desafios de avizinham...
Num rasgo de esforço e sorte, a minha estrada da vida mudou subitamente.
O destino? Medicina Veterinaria, algo que me complementa, um destino que me entusiasma.
o Caminho? 5 anos de intenso esforço divididos entre um emprego e a faculdade, longe da minha cidade tranquila, longe dos meus pequenos prazeres que só Torres Vedras permite, longe das fortes amizades então traçadas, longe da comida maravilhosa, longe das ondas de peniche, longe dos longos passeios de vespa, longe de muita coisa que faz sentido para mim.
No entanto mais do que tudo paira a duvida da viagem, da volta ao mundo pensada para antes dos 30 anos. A minha emancipação interior.. com um reduzido horario e necessariamente um reduzido ordenado, a estrada tende a conduzir-me para longe deste sonho.

No fundo por mais turtuosa que pareça a estrada, o importante é caminhar nela.

quinta-feira, junho 17, 2010

Tempos de redenção...


Volto hoje ao fim de quase 6 meses de retiro, volto hoje ao modelo de vida que realmente quero levar, escrever.
Entre 6 meses, muito se passou e muito ficou por passar.
Nestes meses cumprir desejos e perdi batalhas.
Viajei mais uma vez, desta vez em "modo" turista e não gostei. Não gosto da forma como estamos em patamares diferentes dos locais, não gosto da forma como não nos integramos nas ruas, não gosto de comer comida europeia num pais das caraibas, não gostei ser turista.
Cumpri um sonho de adolescência, comprei uma vespa. Ainda muito recente pelo que não tive ainda tempo de tirar partido da liberdade que me irá proporcionar.
Tive de novo uma motivação profissional, voltar para a faculdade ao mesmo tempo que mantenho a minha profissão e frequentar o curso de veterinaria. No meio de quase um dificil e de adaptação dura à realidade da minha profissão, que me sugou a motivação e alegria interior, uma luz reacendeu-se no meu coração. Lutar por conseguir alcançar uma profissão que me motive. Hoje escrevo um pouco desolado, mas não vencido. Por falta de um papel a minha candidatura está seriamente comprometida. Um papel que me separa de uma batalha que quero travar, um papel, um simples papel que me tira o sonho.
Para o ano? Não sei se tenho a motivação suficiente para me aguentar na mesma lenga-lenga diária, para aguentar mais um ano para tentar fazer os exames necessários.
Viajei hoje durante o dia em encruzilhadas mentais,em que soluções encontrar, caminhos a percorrer... no entanto, confesso que penso que me faz bem sentir-me ocasionalmente assim, imputente perante os obstácuos. Nestes dias em que perdemos batalhas, renascem outros objectivos, traçam-se novas metas...reenchem-se os pulmões para as novas "guerras"...

terça-feira, outubro 27, 2009

Seremos mesmo capaz de realizar sonhos?


Seremos mesmo capazes de realizar sonhos, ou apenas de os sonhar?

Já escrevi muitas palavras em volta do mesmo assunto, mas é um dilema que me assombra todos os dias. Sou agora diferente do que era há cerca de um ano, sou um profissional. Tenho uma profissão, um ordenado, responsabilidades, liberdade economica. Sou agora um escravo das minhas vontades, não das minhas necessidades, mas sim das vontades.

As vontades que são obstaculos à minha clarividência, vontade de consumir, a voraz vontade de ter algo, que arrebata a vontade de ser e de ver, de sentir, de me apaixonar.

Por agora, a minha viagem ao mundo, o meu "goal", o meu objectivo, ainda parece uma miragem. As poupanças, ainda parecem migalhas num fundo do saco de pão vazio, que anunciam ainda algo sacrificio e disciplina pessoal. Não é facil, mantermos a vontade de cumprir tal sonho, uma vez que os apelos são muitos..

quarta-feira, junho 24, 2009

Small world... big oppurtunities


Num momento de crise, estranhamente sinto-me tranquilo. Existe uma grande preocupação e disscussão nas pessoas da minha faixa etária sobre a precaridade do trabalho. Compreendo que para muitos que procuram estabilidade, contractos sem reais vinculos e seguranças atemorizem qualquer um. Mas viver sem certezas, eis algo que me entusiasma. Penso que esta tranquilidade que sinto,num momento de tempestade laboral, reflecte a possibilidade de ver esta precaridade de trabalho como uma porta para não ter amarras profissionais. É um estimulo para tentarmos algo diferente, é a opurtunidade de arriscarmos uma vida diferente daquela que aparentemente pensariamos ter.
Sem um contracto vitalicio, sem estar "no quadro", ninguem me garante um posto de trabalho para toda a vida, mas também não me permitem ser um comodista perante as opurtunidades. Porque na verdade, todo o mundo está à distancia de uma estrada.

domingo, março 29, 2009

Adeus Companheiro


Adeus Companheiro

Ao longo destes 5 anos foram muitos os nomes pelos quais foste conhecido, Mustang, Alzira, 4 latas...mas para mim não terás um nome, não serás apenas um substantivo mas sim um conceito associado a Liberdade.
Muitos foram os kilometros que corremos juntos, desde os mais rotineiros e quotidianos aos meus inspiradores e aventureiros.
Foste tolerante e compreensivo com os meus erros de principiante, e eu tolerei ja na tua velhice, quando a força te faltava, o teu incomodo pelo frio da manhã quando já em pressa para os estágios pedia a tua colaboração, a tua porta que deixava uma nesga sempre aberta que me enregelava os ossos, a tua capacidade de chamar todos as pessoas da rua à atençao quando arrancavas e "chiavas". Tolerei tudo sempre com um sorriso cumplice.
Agora que te vejo partir, não resisto a rever a nossa historia com saudade antecipada. Terei alguns outros carros depois de ti, mas acredita nenhum vai carregar tanto em si a minha alma vagabunda como tu o fizeste. Mas percebe, os anos já iam apertando contigo, e tu precisavas de mimo e muito descanso, algo que a minha juventude furiosa não te poderia oferecer.
No fundo, tu seras sempre meu e eu para sempre teu. E quando nestas estradas da vida nos cruzarmos, trocaremos simples olhares cumplices.

Até Sempre.


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

A solidão, a chuva, o frio ou os teus braços quentes todas as noites?

A pele torrada do sol e salgada do mar ou a barba aparada metodicamente todas as manhãs?
Um olhar tranquilo e experienciado ou um olhar cientifico e dedicado?

A mochila, o cobertor velho e umas moedas no bolso ou a alegria das crianças aos fim de semana?

O que aprendeu a fazer de tudo ou o que é melhor no que faz diariamente?

Vida que poderia ser um livro ou uma vida vivida sobre as regras?

Um poema vadio ou uma pagina de dicionário?

O horizonte como companheiro ou acompanhar os que mais amamos todos os dias?

Pesa a duvida em certas alturas. A vida quotidiana abraça-me, fecha-me os olhos e susurra doces palavras que me adormecem. Mas a vontade de tentar algo diferente, o inconformismo, esse perdura apesar das tentativas infligidas pelo quotidiano. Espero pela resposta que o futuro me trará.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

My Blue Yard


Decidi há uns tempos iniciar um blog sobre ondas,essa energia maravilhosa e simples que em arrebata completamente. Decidi iniciar um blog silêncioso, apenas de imagens. Onde partilhasse com os visitantes fotos que me fascinam e me fazem voltar para dentro de água repetidamente. No entanto, por insistência de amigos e leitores, decidi aprofundar um pouco mais o "My Blue Yard", e partilhar mais do que imagens, palavras, pensamentos sobre uma maneira de estar na vida, o surf.
Mais do que manobras, pranchas, etc..pretendo partilhar um pouco deste sabor que fica quando surfamos ondas, fugir do comercialismo que assombra esta arte e dedicar-me ao "soul surf".

É nesta "onda" que surge o My Blue Yard

sexta-feira, dezembro 05, 2008


"Ainda finges que caminho ao teu lado, mas há muito que fiquei para trás. Desviei-me do nosso caminho pelas palavras que me ofereceste mas principalmente por aquelas que nunca me dirigeste. Percebe. O meu fardo é mais pesado do que o teu, carrego no ventre a solidão de quem nunca será mais do que uma sombra perdida no frio e na escuridão do ontem. Percebe. Morro um pouco todos os dias, que são em papel quimico a tudo semelhantes aos anteriores. Percebe. Não tenho mais nada para ti, que não te leve à loucura, ao choro, grito, raiva, odio e amor. Percebe."


Arthur Yadin, em "A fome da Liberdade Humana"

sábado, outubro 11, 2008

A mais bela onda conhecida


Depois de um bela sessão de surf, lanço-me a estrada na ideia de voltar a casa. Com uma energia bastante positiva dentro de mim que me contagia, decido num golpe de sorte arriscar uma vista das ondas na areia branca. Ao chegar, sinto-me esmagado pela beleza das ondas, dignas de qualquer revista de surf ou até capa de National Geographic. No horizonte desenhavam-se linhas de ondulação, certinhas, tão certas que pareciam bailarinas sincronizadas. Antes de rebentar mostravam todas as suas formas, numa onda que tinha tanto de esplendor como de tirania. A sua força era implacavel e apenas os mais destemidos surfavam nela. Uma onda linda, comprida, tubular, de agua azul...

domingo, outubro 05, 2008

Perfeito...simplesmente perfeito

E subitamente o verão voltou na minha mente, e um sorriso simples e intenso instalou-se para o resto do dia...

terça-feira, setembro 02, 2008

A balada da estrada

Lancei-me à estrada com um companheiro em busca de ondas. Das melhores ondas da costa alentejana. Errei na equação, pois o resultado foi diferente. De ondas encontrei bastantes e boas, muitas vezes demasiado tenazes para a minha experiência. Da vida encontrei tudo, principalmente o lado selvagem. Encontrei a arte do improviso, o sabor da simplicidade de nada ter, o vento que acompanha os aventureiros da estrada. Re-encontrei paz e força para um novo ciclo.

Na estrada, facilmente sucumbimos a tentação de voltar para casa. Para os braços da nossa familia, para a comida quente, para uma cama grande e confortavel, para a eletricidade e àgua canalizada. Ai reside a eterna diferença entre o viajante e o turista. O viajante nunca deseja voltar a casa. Na estrada, libertamos a mente, os problemas, as dores e as perdas. Se assim for, estaremos preparados para uma vida diferente ao voltar a casa. Nos nossos olhos correrá esperança e calma, e nas nossas veias correrá vida e juventude.
E no fim, percebo que o surf foi apenas um pretexto.

(São Torpes em miniatura)

( Algures entre o céu e o inferno)


(Companheiros de ondas e vida)

(Odeceixe)

(" Los Locos" de Milfontes)

domingo, agosto 31, 2008





Que estranha obsessão que nos impele a sairmos do conforto da nossa cama numa manha enevoada e sorrir. Que estranha obsessão que nos leva a abraçarmos o frio, o medo e a natureza de mente aberta. É mais do que um alimento, é um sonho em realidade sob a forma de um movimento. É simples, mas não o consigo descrever com palavras, apenas com um olhar vago e um sorriso. É breve, sempre breve mas carrego-o comigo sempre que não estou no mar. Fecho os olhos e ainda sinto o seu embalo, ainda o sinto no corpo cansado, nos pés feridos e no orgulho enobrecido. Faz-me sentir o mais simples nomada. Faz-me viver.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Sunset without cocktails


Há muito que não escrevo para o blog, depois de uma aventura pelo jornal Mundo Universitário, muito trabalho e uma pausa sabatica, volto ao lugar que apelido de "casa".

Amanhã parto de novo para a estrada. Como destino tenho apenas o Surf, surfar sem olhar para o relógio, surfar sem saber como vai ser o amanhã, surfar e apenas surfar. É algo que há muito que desejo viver e respirar apenas surfar por uns tempos, abstrair-me das rotinas, dos nervosismos, das obrigações, responsabilidades e tudo o que me envelhece a alma e entristece os meus dias. Amanhã parto, mas com o desejo de apenas nunca voltar.